57. A Própria Imagem

Escrito por Kenneth E. Vose

Sinopse oficial
Chacal embosca Snarf e tenta roubar a Espada Justiceiras. Isso dá a Panthro a ideia de fazer uma espada duplicada como isca para os Mutantes. Deixando Snarf na Toca, os ThunderCats espalham a notícia de que a Toca está desprotegido. Dois Trollogs ouvem isso e informam os Mutantes. Chacal e Simiano vão para a Toca, pegam a Espada duplicada e capturam Snarf. Eles entregam a Espada e Snarf para Escamoso, que vai até Mumm-Ra para fazer um acordo. A Múmia domina o Mutante e toma a a falsa espada. A verdadeira alerta Lion-O que seu amigo corre perigo. O Senhor dos ThunderCats e Panthro correm para resgatar Snarf da Pirâmide. Lion-O convoca os outros amigos com a Espada Justiceira real, atravessa a parede da Pirâmide e salva Snarf. Confuso vendo a espada real na mão de Lion-O, Mumm-Ra convoca o Olho de Thundera em sua espada duplicada. O Olho pisca e se abre para revelar um espelho em vez da joia mágica. Mumm-Ra é repelido por seu próprio reflexo hediondo.

Moral pelo Dr. Robert Kuisis
O truque dos ThunderCats em fazer uma duplicata da Espada Justiceira para prender os Mutantes falha quando Snarf é capturado e sequestrado por Simiano e Chacal. Mas a incapacidade dos Mutantes de trabalharem juntos ou com Mumm-Ra leva ao resgate simples de Snarf. Escamoso usa uma filosofia de prevalência do mais forte para tirar a Espada Justiceira e Snarf dos outros Mutantes. Mas sua previsão de que alguém mais forte sempre aparece se prova correta quando Mumm-Ra pega a espada dele. Lion-O, no entanto, frustra as esperanças de Mumm-Ra de aprender o segredo do Olho de Thundera, expondo a espada como uma farsa e usando seu espelho para refletir a imagem maligna de Mumm-Ra de volta a si mesmo.

A incapacidade de Mumm-Ra de suportar a visão de sua própria imagem tipifica a falta de respeito por alguém que conscientemente pratica o mal. A capacidade de fazer bons julgamentos morais reside em cada um de nós. Até Escamoso mostra que está ciente do que está fazendo, citando que sua filosofia pode estar certa. Mas nós pagamos o preço quando ignoramos nossos julgamentos morais e seguimos um curso maligno. A transgressão leva não apenas à perda de respeito dos outros, mas a algo muito mais crítico. Eventualmente, leva à perda de um bem precioso, a capacidade de acreditar no respeito a nós mesmos. Quando fazemos algo errado, nos sentimos culpados. Esse sentimento serve a um bom propósito, porque nos lembra que fomos contra o nosso código moral. E quando ignoramos nossos julgamentos morais, corremos o risco de perder nosso auto-respeito, como Mumm-Ra. Nosso objetivo deve ser como o dos ThunderCats, viver em harmonia com nosso código moral e conosco.

Elenco e personagens
Lion-O: Newton da Matta
Panthro: Francisco José
Tygra: Francisco Barbosa
Cheetara: Carmen Sheila
Wilykit: Marisa Leal
Wilykat: Nizo Neto
Snarf: Élcio Romar
Escamoso: André Luiz “Chapéu”
Simiano: Paulo Flores
Chacal: Older Cazarré
Mumm-Ra: Silvio Navas
Trollogs: André Luiz “Chapéu”

Locais em destaque: Floresta; Rio do Desespero; Cavernas dos Trollogs; Toca dos Gatos; Castelo Plun-Darr; Pirâmide Negra

Veículos: ThunderTanque, VariCanhão

Comentário oficial
Uma das características distintivas de ThunderCats e de outros desenhos animados dos anos 1980 é uma mensagem de vida positiva na história. Às vezes, essa mensagem seria entregue na forma de uma citação por um personagem principal, enquanto outras vezes seria mais sutil. Mostrar a ação correta tomada por um ThunderCat ou a terrível consequência sofrida por um vilão foi a fórmula geral para ilustrar a moral por trás dos episódios desta série.

O escritor Kenneth E. Vose dá uma guinada e vira a mesa sobre os ThunderCats em seu episódio “A Própria Imagem”, tornando-os um péssimo exemplo a ser imitado. Enquanto normalmente os Mutantes ou Mumm-Ra causam problemas para os ThunderCats, neste episódio são as próprias ações dos heróis felinos que os levam ao problema. Em vez de servir como modelos, aqui os ThunderCats transmitem uma lição sobre o que não fazer.

As rodas são acionadas logo no início, quando um ataque repentino a Snarf por Chacal faz a babá desejar que ele tivesse sua própria Espada Justiceira para manter os Mutantes à distância. Sentindo pena de Snarf fungando, Panthro cria uma réplica idêntica da Espada para ele. Ver o trabalho de Panthro dá a Lion-O a ideia de fazer uma brincadeira com os Mutantes, permitindo que eles se apossem da espada falsa. Esse tipo de brincadeira infantil é algo que normalmente seria evocado pelos ThunderKittens e mostra que Lion-O ainda é uma criança no coração. A imaturidade de Lion-O é ainda mais destacada quando ele se recusa a pedir ajuda aos outros ThunderCats para resgatar Snarf, até Panthro lembrá-lo que a modéstia é a melhor parte da coragem.

Até a natureza desconfiada e egoísta dos Mutantes é muito bem explorada por Vose. Cada um dos Mutantes quer a espada (falsa) para si e Escamoso chega a barganhar com Mumm-Ra, embora sem sucesso. Simiano e Chacal, não querendo incluir Escamoso em seu plano, mostram o quanto eles desprezam seu líder reptiliano.

O episódio é polvilhado com alguns momentos engraçados aqui e ali. A cena de Snarf rastejando como uma lagarta fora de perigo e Escamoso caindo de cabeça enquanto tenta evitar ser atropelado pelo ThunderTanque, são bons exemplos de humor em exibição. A animação é decente e faz justiça ao script. Mumm-Ra, vendo seu próprio reflexo na espada falsa, mostra que não apenas a beleza, mas o hediondo também estão nos olhos de quem vê.

O que impede um bom episódio como “A Própria Imagem” de alcançar a grandeza é o enredo linear. Embora muito bem escrito, é muito direto. Todo o cenário de Snarf ficando para trás na Toca dos Gatos, e de todos os lugares ele escolhe a Câmara da Espada para se esconder dos Mutantes é ilógico e é um dispositivo de roteiro excessivamente conveniente. No entanto, a história de advertência de Vose é uma boa adição à franquia ThunderCats.

Escrito por Wilycub

Curiosidades

  • Chacal mostra seu conhecimento de ditados populares ao pronunciar a frase incompleta “Quando o gato está fora …”.
  • Curiosamente, neste episódio, os Trollogs podem conversar e também desejam adquirir riqueza, enquanto no episódio de estreia, “Berbils”, eles foram retratados como selvagens mudos que se comunicam usando grunhidos e gestos. Anteriormente, eles estavam interessados apenas nas folhas dos arbustos Trollberry, sua única fonte de alimento.
  • Ficamos sabendo que os ThunderCats possuem conhecimento de doenças do Terceiro Mundo, como pneumonia.
  • O enredo básico deste episódio é uma brincadeira inventada e pelo tiro que saiu pela culatra de Lion-O. Isso ecoa uma cena pequena, mas vital, em “A Torre das Armadilhas”, quando Lion-O prega uma peça em Snarf e aprende uma lição importante de que uma piada não é tão engraçada quando é só você ri.

Texto extraído de thundercats.org com tradução, complementos e adaptações de Luciano Marzocca