38. O Demolidor

Escrito por Peter Lawrence e Bob Haney

Sinopse oficial
O DEMOLIDOR é uma criatura temível dirigida apenas pelo desejo de lutar e destruir. Se não há ninguém contra quem lutar por pagamento, ele luta por prazer. Suas vitórias são testemunhadas, e os oponentes batalham com seu companheiro, o TATU. O Demolidor aterrissa no Terceiro Mundo para desafiar Mumm-Ra, sem saber que esse desafio é tornado fútil pela imortalidade do rival. Quando ele derrota o Sacerdote do Mal, quase acidentalmente, e está prestes a destruí-lo, Mumm-Ra foge para a pirâmide, convocando o Demolidor atrás dele. Lá, ele indica a imagem de Lion-O no Caldeirão, provocando o Demolidor e incitando-o a desafiar o ThunderCat. A reação inicial de Lion-O ao desafio do Demolidor é evitar o conflito, mas ele é forçado a se defender. A luta atinge um impasse, que Lion-O quebra convocando os outros ThunderCats, não para destruir o Demolidor, mas para impedi-lo de lutar até que ele efetivamente se destrua. Respeitando as proezas e coragem do Demolidor, Lion-O tenta convencê-lo a lutar pelo Código de Thundera, mas o Demolidor é movido apenas pela violência e se teletransporta, junto com Tatu, de volta para sua nave espacial, deixando o Terceiro Mundo para sempre.

Moral pelo Dr. Robert Kuisis
O Demolidor é um mercenário, que busca violência por causa da violência e luta sem respeitar nenhum princípio. Ele não tem crenças. Briga, não por uma causa, mas apenas como um exercício de força. Como resultado, ele parece descontrolado e é vítima de seu próprio distúrbio e confusão.

Sempre que permitimos que nossos impulsos físicos sejam expressos sem moderação e sem consideração pelo propósito, também estamos sujeitos a desordem e confusão. Qualquer expressão de força deve estar ligada a um propósito racional e deve ser apropriada para um fim. O comportamento deve sempre estar em conformidade com os padrões morais.

Elenco e personagens
Lion-O: Newton da Matta
Panthro: Francisco José
Tygra: Francisco Barbosa
Cheetara: Carmen Sheila
Snarf: Élcio Romar
Mumm-Ra: Silvio Navas
Demolidor: José Santa Cruz
Tatu: Ricardo Schnetzer

Locais em destaque: Toca dos Gatos, Pirâmide Negra, Planície da Fertilidade

Veículos: nave do Demolidor, ThunderTanque

Comentário oficial
À medida que a série ThunderCats avançava, certos temas e conceitos foram revividos e reinventados. Quando a série terminou, havia um total de 130 episódios, e pode-se argumentar que poderia ser difícil sustentar muitos episódios sem que certos elementos fossem revisitados. Não surpreende, portanto, que este episódio tenha muitas semelhanças sutis com “Safari Joe”. No entanto, embora tenha sido um conto altamente divertido, com muitos conceitos emocionantes e originais, “O Demolidor” é basicamente uma sequência de sequências de ação em andamento reunidas em torno do vilão convidado do episódio. Embora para um programa de aventura de alta octanagem como o ThunderCats, isso não tenha que necessariamente ser uma coisa ruim (especialmente considerando que as sequências de ação foram um dos grandes pontos fortes da série), no caso deste episódio, o resultado é surpreendentemente agradável e, simultaneamente, desinteressante.

Parte do que faz esse episódio ser sofrível é o fato do personagem homônimo ser bastante unidimensional. Uma das poucas fraquezas da série ThunderCats (e, de fato, a de muitas séries animadas na década de 1980) é que os vilões raramente recebem algum desenvolvimento substancial de personalidade ou motivação para suas ações. Abrangendo os componentes básicos para torná-los acessíveis instantaneamente ao público jovem, eles são simplesmente “maus”. Na vida real, é claro, muito poucas pessoas que fazem coisas más realmente se consideram “más” – elas racionalizarão seu comportamento, vendo suas ações motivadas como boas. Os personagens de desenhos animados do mal geralmente não têm esse nível de complexidade, deliciando-se com sua própria maldade de uma maneira que caricatura os “vilões” da vida real. Embora assistir aos ThunderCats de uma perspectiva adulta exija boa suspensão de descrença, a vilania exagerada raramente é um problema – podemos ignorá-la, até nos deleitarmos com seu melodrama. No caso do Demolidor, no entanto, parece que essa falta de complexidade do personagem é estendida ao ponto de completa falta de motivação – um personagem que apenas parece mal e luta pelo bem da luta, sem história de fundo.

Eu mencionei anteriormente que “O Demolidor” tem algumas semelhanças menores com “Safari Joe”: um adversário com um arsenal versátil ataca os ThunderCats (ou, no caso deste episódio, apenas Lion-O) por nenhuma razão aparente além de saciedade do ego, completada por um companheiro não combatente. No entanto, enquanto Safari Joe, um caçador de animais selvagens, era um inimigo brilhante e altamente apropriado contra um elenco de personagens de gatos humanóides, cuja própria covardia e natureza bullying o marcaram como um personagem realmente interessante, o Demolidor é basicamente apenas um guerreiro selvagem, inexistente, sem razão para lutar. O episódio aborda brevemente suas motivações de luta (que, como no Safari Joe, parecem ser em grande parte orientadas pelo ego ou pela sensação de superioridade), mas a maneira como são apresentadas é menos interessante e envolvente do que com o “Safari Joe”. Associe essa suavidade comparativa a um ajudante de líder de torcida um tanto inútil como Tatu (o ajudante de Safari Joe, Mula, pelo menos serviu uma função necessária e crível) e você tem os personagens errados para basear um episódio inteiro.

O triste desse episódio é que ele poderia ter sido excelente, não apenas porque se origina dos talentos combinados de Peter Lawrence e Bob Haney, dois dos escritores mais fortes da primeira temporada, mas também porque o personagem do Demolidor, como um tipo de soldado irracional, poderia ter servido como um personagem fantástico em torno do qual construir uma história sobre a futilidade do conflito, e como guerras e conflitos podem escalar até o ponto da violência irracional, em que nenhum dos lados pode realmente se lembrar da razão pela qual começou. Ao tornar o Demolidor um lutador em uma causa esquecida há muito tempo, ou um soldado de outra época, ou qualquer outro dispositivo de enredo, esse episódio poderia ter passado da mediocridade para uma das grandes histórias de ThunderCats. Como é, o episódio é lembrado quase exclusivamente por suas seqüências de ação. Embora isso possa parecer duro, essas cenas abrangem quase todo o episódio, com duas grandes batalhas individuais – Demolidor versus Mumm-Ra e Demolidor versus Lion-O – formando as colunas centrais sobre as quais a estrutura menor restante do episódio é construído.

As próprias sequências de ação são divertidas, se não espetaculares. O arsenal de armas do Demolidor é talvez a coisa mais memorável sobre o personagem, dando a ele uma vantagem formidável para combinar com sua personalidade cruel e sua voz rouca. Embora em nenhum momento a platéia sinta que Lion-O está em perigo legítimo, é divertido ver o Senhor dos ThunderCats dando uma exibição tão abrangente de suas habilidades de combate. Em particular, a cena em que Lion-O exibe sua força incrível (talvez até um pouco exagerada), libertando-se do campo de força do Demolidor e depois arrastando sua nave para a terra, é o destaque inegável deste episódio.

Em suma, apesar da ação impressionante, este episódio se destaca por todas as razões erradas, em virtude de seu personagem convidado horrendo. É um episódio repleto de potencial desperdiçado e que, mesmo quando analisado, permanece bastante esquecível.

Escrito por Chris (He-Fan)

Curiosidades

  • Este episódio foi escrito por Bob Haney e Peter Lawrence, a única vez na série em que ambos trabalharam o mesmo roteiro;
  • Uma das coisas mais visualmente únicas desse episódio ocorre durante a batalha de Mumm-Ra contra o Demolidor, quando Mumm-Ra evoca armaduras do Japão feudal;
  • A esfera de luz usada por Mumm-Ra para guiar os Mutantes até sua câmara mortuária em “A Aliança Profana” faz sua segunda aparição neste episódio;
  • Quando Mumm-Ra mostra as imagens de Lion-O em ação ao Demolidor, as duas cenas são de “Retorno a Thundera” e “O Gigante de Pedra”.
  • Tatu parece carregar consigo um conjunto de baquetas sobressalentes – embora Snarf pegue as baquetas de Tatu no início da batalha, apenas alguns minutos depois Tatu é visto com um conjunto novo.

Texto extraído de thundercats.org com tradução e adaptações de Luciano Marzocca